Princípios da pesquisa quantitativa


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A opção pelo método e técnica de
pesquisas depende da natureza do problema que preocupa o investigador, ou do
objeto que se deseja conhecer ou estudar. A utilização de técnicas qualitativas
e quantitativas depende, também, do domínio que o pesquisador tem no emprego
destas técnicas. Inexiste superioridade entre ambas desde que haja correção nas
utilizações e adequações metodológicas (SANTOS & CLOS, 1998 p.1).
3.1. BASE HISTÓRICA DO PARADIGMA QUANTITATIVO
Os modernos
métodos científicos de pesquisa têm suas raízes por volta do começo do século
XVII, principalmente pelo pensamento de Descartes, Bacon e
Galileu. Em Descartes repousa a crença fundamental de que através da
razão é possível chegar-se à certeza sobre um fato. Descartes, seguindo em
parte a lógica de Aristóteles, estabeleceu um método dedutivo, baseado nos
princípios da igualdade entre verdade e evidência, da divisão de um problema em
partes para sua análise e do uso da lógica para a obtenção de conclusões
(Vargas, 1985). Assim, pela lógica dedutiva, as conclusões são baseadas em
princípios e leis e, a partir do raciocínio lógico, procura-se observar as
conseqüências específicas de uma teoria formulada.
Já em Bacon,
uma certa dúvida paira sobre a lógica da razão pura. A ênfase maior é dada ao
conhecimento adquirido através dos sentidos, ou seja, através da observação da
realidade, fato imprescindível quando se deseja conhecer algo novo. Para Bacon,
é necessário a utilização do raciocínio indutivo, através do qual, pela
observação dos fatos desprovida de preconceitos, pode-se chegar a uma “lei
geral” (Vargas, 1985). Pela indução pode-se chegar à conclusões gerais, a
partir de observações empíricas, em um processo que vai de uma pressuposição
até uma conclusão.
O método
empírico, estabelecido por Galileu, consistia basicamente, da formulação de uma
conjectura ou hipótese expressa, preferencialmente, em termos matemáticos. A
execução de um experimento ou observação serviam para confirmar ou negar a
hipótese previamente formulada. O método proposto por Galileu segue
a lógica hipotético- dedutiva (Vargas, 1985).
A
ciência moderna tem usado uma combinação desses métodos. De fato, a
maioria dos cientistas entende usar a dedução e a indução em suas
pesquisas. Qualquer um dos dois casos exige coleta sistemática de
dados, criatividade, percepção da relevância dos dados coletados, atualizações
sistemáticas e acréscimos de novas idéias e teorias **.
PARA VER **
Assista
aos filmes : O Nome da Rosa, que destaca o poder da Igreja sobre o
saber na Idade Média; Giordano Bruno, que destaca o movimento renascentista
no séc. XVI contra esse poder; e
Ponto de Mutação, que destaca as bases do saber moderno no séc. XVII e os
novos caminhos da ciência moderna.
A essa conduta
de pesquisa dá-se a designação de pesquisa
quantitativa, pesquisa empírica
ou método científico tradicional. A
partir desse ponto de vista, o ponto de partida de uma pesquisa é a teoria, que
engloba uma tentativa de formular explicações acerca de algum aspecto da
realidade. A partir dela, uma (ou várias) hipóteses são formuladas
pelo uso da dedução. O pesquisador, ao utilizar esse método, deve
ter algumas preocupações:
·
A hipótese deve conter conceitos que possam ser medidos para
sua verificação. O processo de transformar conceitos em medidas é
chamado de operacionalização.
·
A hipótese também deve demonstrar uma relação de
causa-efeito, seja de forma explícita ou implícita.
·
A pesquisa deve se preocupar com a generalização, isto é,
deve-se buscar conclusões que possam ser generalizadas além dos limites
restritos da pesquisa.
·
A pesquisa deve se preocupar com a replicação, ou seja, deve
ser possível a um outro pesquisador, utilizando os mesmos procedimentos,
verificar a validade dos resultados encontrados.
O
que primeiro preocupou os cientistas humanos foi o problema da unidade das
ciências. Quem defendeu tal unidade metodológica, alinhou-se ao pensamento de
Comte, Mill e Durkheim, com base no empirismo de Locke, Newton, Bacon e outros.
Esses autores clássicos são os mais importantes para entendermos o paradigma
quantitativo. A unidade metodológica significou para as ciências humanas adotar
o mesmo método das ciências naturais.
Em síntese, aplicado à sociologia, à
psicologia e à educação, o método científico das ciências naturais apresenta
três características básicas: primeiro, defende o dualismo epistemológico, ou
seja, a separação radical entre o sujeito e o objeto do conhecimento; segundo,
vê a ciência social como neutra ou livre de valores; e terceiro, considera que o
objetivo da ciência social é encontrar regularidades e relações entre os
fenômenos sociais (GAMBOA, 1995 p. 23).
3.2. ASPECTOS GLOBAIS DA PESQUISA QUANTITATIVA
A pesquisa quantitativa utiliza a descrição matemática como
uma linguagem, ou seja, a linguagem matemática é utilizada para descrever as
causas de um fenômeno, as relações entre variáveis etc. O papel da estatística
é estabelecer a relação entre o modelo teórico proposto e os dados observados
no mundo real. Deve ser utilizada como método de pesquisa quando o problema
formulado tiver intenção de saber:
A- qual a relação entre variáveis (qual a relação entre
idade, sexo e escolaridade e dificuldades em leitura? );
B- qual a causa (o que causa a evasão?);
C- qual o efeito ou consequência (qual o efeito da técnica
expositiva sobre o aprendizado entre
crianças de 4 e 6 anos?);
D- qual a incidência (qual o número de casos novos de evasão
em Belém em 1999?);
E- qual a prevalência (qual o número de casos de repetência
na primeira série em Belém entre janeiro a junho de 2000?);
O método quantitativo faz uma foto dos fatos e, com base nos
princípios do positivismo:
CONSIDERA
A REALIDADE COMO FORMADA POR PARTES ISOLADAS. NÃO ACEITA OUTRA REALIDADE QUE
NÃO SEJA OS FATOS, FATOS QUE POSSAM SER VERIFICADOS. BUSCA DESCOBRIR AS
RELAÇÕES ENTRE FATOS/VARIÁVEIS. VISA O CONHECIMENTO OBJETIVO. PROPÕE A
NEUTRALIDADE CIENTÍFICA. REJEITA OS CONHECIMENTOS SUBJETIVOS. ADOTA O PRINCÍPIO
DA VERIFICAÇÃO, OU SEJA, SÓ SERÁ VERDADEIRO AQUILO QUE FOR EMPIRICAMENTE COMPROVADO.
USA O MÉTODO DAS CIÊNCIAS NATURAIS – EXPERIMENTAL-QUANTITATIVO. PROPÕE A
GENERALIZAÇÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS (TEIXEIRA, 2000 p.60)**.

